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Cidade

08/12/2005

 

Cidade
Tremores de terra assustam Mutuípe

Abalos ocorreram no centro da cidade, mas sem causar danos

CRISTINA SANTOS

MUTUÍPE (DA SUCURSAL RECÔNCAVO) –
A população do município de Mutuípe (a 254 quilômetros de Salvador) levou um susto no final da noite de terça-feira última, com a ocorrência de novos abalos sísmicos na região. Dois estrondos acompanhados de tremores de terra apavoraram os moradores dos bairros Cajazeira e Alto da Cajazeira, na região central da cidade. O segundo e mais forte abalo ocorreu por volta das 23 horas, cinco horas após o primeiro. Assustados, alguns moradores chegaram a deixar suas residências. As pessoas temem que o fenômeno volte a ocorrer.

O abalo, que durou aproximadamente três segundos, não chegou a causar danos materiais nem vítimas, mas, de acordo com relatos dos próprios moradores, em algumas casas, ocorreram rachaduras. Esta foi a terceira vez que aconteceu o fenômeno no município. Os primeiros tremores foram sentidos em outubro e novembro. Os dois bairros estão localizados na parte mais alta e são os mais populosos da cidade.

Os tremores em Mutuípe não foram detectados pelo Observatório Sismológico da Universidade de Brasília (UNB), na capital federal, por isso não teve magnitude confirmada; têm causas naturais e não oferecem perigo à população. A garantia foi dada pelo professor Joaquim Xavier Cerqueira Neto, do Departamento de Geologia e Geofísica Aplicada do Instituto de Geociências da Universidade Federal da Bahia (Ufba).
  
SEM RISCO – O professor explica que os abalos sísmicos ocorrem porque a superfície da terra está sob camadas de rochas gigantes e placas tectônicas que estão ajustadas lado a lado, como se fossem imensas lajotas. Entre essas lajotas existem fendas que, se desencaixam, provocando tremores.

– A população não precisa ficar preocupada, pois o sismo que ocorreu foi um relaxamento das tensões que se acumulam num ambiente antigo de falhas geológicas. São fenômenos superficiais, sem energia suficiente para estimular os sismógrafos em Brasília – disse Cerqueira Neto.

Conforme explicou o professor da Ufba, os abalos foram de pequena magnitude. “Essa liberação de energia é comum no Recôncavo baiano. Esses microssismos já aconteceram no município de Ubaíra em 1999”, acrescenta Cerqueira Neto, que analisou os tremores de terra ocorridos entre os dias 19 de junho e 12 de julho de 1999 em Ubaíra.

– O perigo está no pânico desnecessário entre população – completou. Cerqueira Neto orienta a população para, no momento dos tremores, sair de casa e se afastar dos fios de alta-tensão.

Moradores passam noite na porta das casas

Não houve pânico, mas a população ficou apreensiva. “Eu estava dormindo quando acordei e senti o chão tremer. Todo mundo saiu à rua para ver o que estava acontecendo. Em algumas casas, portas e móveis balançaram, como na minha. Foi um abalo forte”, relatou Cremilson Andrade, secretário de Administração da Prefeitura de Mutuípe e morador do Alto da Cajazeira.

A dona-de-casa Brandina Maria da Conceição, 74 anos, diz que sentiu o abalo e, ontem pela manhã, percebeu rachaduras nas paredes da varanda da casa. “Ouvi um barulho forte e senti o chão tremer. Depois, aconteceu a mesma coisa, só que mais forte”, explicou Brandina. Ela diz que já se acostumou aos tremores. “Faz um mês que aconteceu outro. Esse agora rachou as paredes da frente da casa”, lamentou.

A aposentada Angelina Silva de Jesus conta que os tremores sacudiram a cama. “Não foi trovoada, pois balançou tudo em casa, parecia que o chão ia cair, até a cama tremeu”. Laura Leandro dos Santos relata que os moradores passaram a noite na porta de casa. “Ninguém conseguiu mais dormir, com medo. Só Deus sabe o que aconteceu”, disse.

Fonte: Jornal Atarde 08/12/05 - Atarde on-line

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