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Partidos

13/02/2005

No governo, todo PT se transforma
 
 Partido dos Trabalhadores comemora 25 anos de fundação em meio a uma enxurrada de críticas pelos novos rumos que adotou
 
 Lenilde Pacheco

 
 O Partido dos Trabalhadores (PT) completou, no dia 10, 25 anos de fundação em meio a uma enxurrada de críticas aos rumos adotados pela legenda depois de haver conquistado, em 2002, o comando do Palácio do Planalto. No campo da teoria política, inúmeros argumentos e reflexões sustentam uma idéia central: o PT e seus líderes não seriam mais os mesmos, em termos políticos e ideológicos. O partido teria renunciado a determinadas formulações doutrinárias que caracterizavam o seu passado recente.
 
 Para o cientista político Fábio Wanderley Reis, da Universidade Federal de Minas Gerais, o PT avançou para o centro do espectro político, ampliou sua base e já não depende dos movimentos sociais para as próximas eleições. Na análise de Reis, o partido enfrenta dissidências e críticas da chamada “esquerda petista”, mas ganha espaço eleitoral em campos desvinculados ideologicamente.
 
 O deputado federal Walter Pinheiro (PT-BA), integrante do chamado Grupo dos 30, que reúne parlamentares cujas posições são divergentes das adotadas pelo governo, diagnostica este distanciamento dos movimentos sociais e propõe a reaproximação: “O PT não perdeu as suas raízes. É certo que o governo caminhou para o centro e o partido concordou. Mas há riscos nesta ação pragmática: pode ser um caminho sem retorno”.
 
 As pressões dos insatisfeitos em relação ao partido e ao Planalto não cessam. No primeiro ano (2003) do governo petista do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o PT viveu o traumático episódio em que o Diretório Nacional decidiu pela expulsão do partido da senadora Heloísa Helena (AL) e dos deputados João Batista de Araújo, o Babá (PA), e Luciana Genro (RS).
 
 A expulsão da senadora e dos deputados foi motivada pelo fato de os quatro parlamentares haverem desrespeitado orientações do partido, na votação da reforma da Previdência.
 
 Em janeiro passado, às vésperas do mês de aniversário de fundação do partido, outra polêmica ganhou força de crise na mídia: cerca de 100 filiados ao PT em todo o País aproveitaram a realização do Fórum Social Mundial de Porto Alegre para anunciar que estavam abandonando o partido. O respeitado economista Plínio de Arruda Sampaio Júnior, um dos fundadores da legenda, afirmou que era o início de uma “debandada” dos petistas de esquerda.
 
 FOGO AMIGO – Durante o Fórum Social, as correntes à esquerda do PT divulgaram uma “Carta aos petistas”, em defesa de mudanças na direção da legenda e na condução da política econômica do governo federal. Vinculado à tendência denominada Democracia Socialista, o deputado Walter Pinheiro assinou o documento, mas não pretende deixar a legenda.
 
 “O Grupo dos 30 não vai sair do partido, para não entregar um patrimônio de 20 anos”, explicou Pinheiro. “Mas é inegável que o funcionamento do governo não está sintonizado com a história do PT, onde os debates sempre foram conduzidos à exaustão. O governo só procura a bancada para pedir voto, sem admitir a discussão ou emendas a projetos”, disse.
 
 O presidente do PT baiano, deputado federal Josias Gomes, sustenta um bem articulado discurso em defesa do governo federal, na tentativa de mostrar que houve avanços em áreas sociais. Admite, no entanto, que estes argumentos não convencem uma parcela significativa do partido.
 
 “As políticas de governo têm o apoio majoritário de 60% dos petistas”, contabiliza o presidente Josias Gomes. De acordo com esta estimativa, a ala radical representaria hoje, em média nos estados, 40% da legenda. Josias só discorda do uso da expressão radical: “Radicais somos todos nós. Há casos, porém, em que sobra sectarismo e falta política”.
 
 Sobre os transtornos causados pelo fogo amigo, o vice-presidente do PT baiano, deputado estadual Emiliano José, afirma que os ataques do setor radical são prejudiciais tanto ao partido quanto ao governo. “Alguns não entendem as dificuldades de governar e insistem em dar tiro no pé. A reforma agrária, por exemplo, não será feita num passe de mágica, exige recursos financeiros”.
 
 FISIOLOGISMO – No cenário político nacional, o PDT reafirma a sua independência e postura crítica diante do PT e do governo federal. Na Bahia, os pedetistas estão alinhados com a direção nacional da legenda: “Ao assumir o poder, o PT precisou mudar de perfil e a sua maneira de fazer política”, avaliou o deputado federal Severiano Alves, presidente do PDT baiano e recém-eleito líder do partido na Câmara. “Para conviver com os partidos aliados, o PT cedeu, abandonou princípios sempre valorizados por sua militância. Com isso, se vulnerabilizou”.
 
 Ácido nas críticas ao PT, o deputado federal José Carlos Aleluia (PFL-BA) reconhece o valor histórico do partido que nasceu do sindicalismo, com o apoio da Igreja Católica, entre outros. “O partido ampliou sua base alimentando o discurso da contestação. Hoje, paga o tributo de quem não cumpre as promessas de campanha”, disse. “Os projetos sociais não triunfaram.
 
 O que se vê são políticas compensatórias. Faltam de inovação e ações permanentes em setores como educação e saúde”.
 
 O presidente do PMDB baiano, deputado federal Geddel Vieira Lima, também ressalva a contribuição do PT para o amadurecimento da política nacional. “O problema é que ao chegar ao Palácio do Planalto, o PT se igualou aos demais partidos. Perdeu identidade e força. As recentes desfiliações são prova disso”, assinalou. “Fez alianças e praticou o fisiologismo que tanto criticou. Quer agradar e acaba gerando desconfiança”.
 
 PASSADO RECENTE – Fundado em 10 de fevereiro de 1980, no colégio Sion, em São Paulo, o PT passou a maior parte de seus 25 anos atacando a relação com o FMI (Fundo Monetário Internacional), chegando a defender a moratória da dívida externa no final da década de 80.
 
 Na década de 90, no entanto, diante das derrotas de Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições presidenciais, o partido se viu diante da necessidade de mudar posições e discursos, caminhando para o centro no espectro político brasileiro, para tentar alcançar o poder.
 
 Em 2002, fez sua campanha eleitoral mais profissional, sob a condução do publicitário Duda Mendonça, que empregou a marca do “Lula paz e amor”, retirando seu candidato da linha de fogo dos embates com os adversários. A estratégia foi bem sucedida e Lula conquistou a Presidência da República.
 
 FESTA ADIADA – As principais comemorações dos 25 anos da legenda, no entanto, devem acontecer em março, mais de 30 dias depois da data oficial de aniversário do partido. Para 19 de março, está marcado um ato público em Belo Horizonte. A presença do mais ilustre representante petista, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, está confirmada. Também em março, entre os dias 21 e 24, está prevista a realização de um seminário, em São Paulo, para discutir os rumos do partido e do governo.
 
 Segundo o partido, o dia 19 de março foi escolhido para a “grande festa” do PT em razão da disponibilidade de agenda dos principais petistas, entre eles Lula. Ninguém admite que a transferência de parte das comemorações para março tenha ligação com o aniversário de um ano do caso Waldomiro Diniz, o assessor do Planalto flagrado pedindo propina a um bicheiro.
 
 BOM HUMOR – Petista histórico, o publicitário Carlito Maia, morto em junho de 2002, resumiu em artigo, publicado em 1998, as razões de seu amor pelo PT: “Um partido, primeiro e único, no qual só há gente firme, decidida, apaixonada, tendências, pretendências e desistências, abrigadas sob o generoso guarda-chuva vermelho-e-branco”.
 
 Seria a perfeição? O próprio Carlito Maia respondeu: “O PT é composto por seres humanos, com todos os defeitos e virtudes: xiitas e xaatos, xiiques e xuucros, xaaropes e xeeretas. Mas todos têm a garantia de poder tirar suas cismas numa boa, democraticamente, nos Encontros do Partido dos Trabalhadores. Onde são acertados os ponteiros, corrigidos rumos. O PT dá trabalho, se dá!”.
 
 A força do partido na bahia
 
 Deputados federais
 
 z Nelson Pellegrino
 z Walter Pinheiro (*)
 z Luiz Alberto (*)
 z Zezéu Ribeiro
 z Guilherme Menezes(*)
 z Luiz Bassuma
 z Josias Gomes
 (*) integrantes do Grupo dos 30
 
 Deputados estaduais
 
 z Emiliano José
 z José Carlos da Silva
 z José Carlos das Virgens
 z Walmir Assunção
 z Zilton Rocha
 z Manoel Isidório de Santana Jr
 z Waldenor Pereira Filho
 z Yulo Oiticica Pereira
 z José Neto
 z Paulo Rangel
 
 Vereadores de Salvador
 
 z Rui Costa
 z Sérgio Carneiro
 z Atanázio Júlio dos Santos
 z Giovanni Nascimento
 z Maria Del Carmem
 z Vânia Galvão
 
 Prefeituras
 
 Município Prefeito Eleições 2004
 
 z Alagoinhas Joseildo Ribeiro Ramos reeleito
 z Amargosa Valmir Almeida Sampaio eleito
 z Baixa Grande Gilvan Rios eleito
 z Camaçari Luís Caetano eleito
 z Carinhanha Francisca Alves Ribeiro eleita
 z Cipó Ailton de Macedo eleito
 z Cruz das Almas Orlando Peixoto eleito
 z Entre Rios Ranulfo Ferreira eleito
 z Itaji Wanda Argolo Pinto eleita
 z Itamaraju Dilson Santiago eleito
 z Itiúba Cecília de Carvalho eleita
 z Jaguaquara Osvaldo Cruz Morais eleito
 z Lauro de Freitas Moema Gramacho eleita
 z Maragojipe Silvio Santana Santos eleito
 z Mutuípe Luís Carlos Cardoso reeleito
 z Novo Horizonte José Lopes dos Anjos eleito
 z Pintadas Valcyr Almeida Rios eleito
 z Senhor do Bonfim Carlos Alberto Brasileiro reeleito
 z Vitória da Conquista José Raimundo Fontes reeleito
 
 População da Bahia: 13.070.250
 Eleitores: 8.586.300
 Filiados ao PT: 37.576
 
 PT no comando das capitais
 
 z Recife (PE)
 z Fortaleza (CE)
 z Aracaju (SE)
 z Macapá (AP)
 z Palmas (TO)
 z Rio Branco (AC)
 z Porto Velho (RO)
 z Belo Horizonte (MG)
 z Vitória (ES)

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