21/04/2005
Assaltantes de banco capturados
Apesar do esforço da polícia no combate ao crime organizado, as quadrilhas continuam roubando bancos no interior
DEODATO ALCÂNTARA
De um lado, a força-tarefa de combate a crimes contra estabelecimentos financeiros divulgou, na tarde de ontem, a prisão de dois assaltantes de banco com vastos históricos de crimes, diversas ações em vários Estados, incluindo Bahia, presos no início do mês nos municípios de Maragogipe (BA) e Contagem (MG). Do outro, pelo menos quatro bandidos armados com duas pistolas, cada um, seqüestraram familiares da gerente do Banco do Brasil do distrito de Salobro, em Canarana, região de Irecê. Sem disparar tiro, levaram mais de R$200 mil.
É o retrato atual da batalha que o Estado vem travando há um ano e dois meses contra organizações que atuam nesse tipo de crime, principalmente em cidades do interior. Nesse período, já foram 127 bandidos perigosos presos, outros oito mortos em alegados confrontos, além de farto armamento pesado, munições e carros apreendidos. Segunda-feira à noite, um bando, fortemente armado por traficantes cariocas, tentou roubar R$500 mil de um carro-forte, na Via Parafuso (BA-535).
A quadrilha tem vínculo com o perigoso Paulo Donizete, recluso no Presídio de Segurança Máxima Presidente Bernardes, em São Paulo. Rogério Costa Longo, o Fala Mansa, 34 anos, e Moisés Rebouças dos Santos, 43, mostrados ontem, são ex-presidiários e têm contra si mandados de prisão de várias comarcas. O segundo, inexplicavelmente, levava vida de empresário na cidade de Maragogipe, onde possui dois táxis, um ônibus que serve no transporte escolar local, além de imóveis e outros investimentos, apesar de condenado em dois processos por roubos, numa pena total de 17 anos de prisão. O último assalto em que participou, segundo a polícia, foi contra a agência do Banco do Brasil do município em que reside. A quadrilha roubou cerca de R$650 mil.
OLHEIRO – Para o delegado Jardel Peres, coordenador do Grupo de Repressão a Roubo a Banco, do Comando de Operações Especiais (COE), Moisés era peça importante no planejamento de assaltos do bando, que tinha na liderança Gilvan Soares da Silva, 31, considerado pela polícia baiana o mais perigoso assaltante de banco do Estado, preso no mês passado, em Feira de Santana. “Como taxista, ele estuda a rotina das famílias dos bancários”, explicou.
Em Maragogipe, no dia 4 de fevereiro deste ano, Moisés estaria defronte ao BB, monitorando a saída do gerente com o dinheiro, “para ver se a vítima havia acionado a polícia”, conta Peres. Além de Maragogipe, há suspeitas de que seu bando agiu contra agências bancárias em Ibititá, Central, Barra do Mendes e Conceição do Coité. Já Rogério fala-mansa tem prisão decretada nas comarcas de Itarantim, Itiruçu, Mutuípe, Tremedal e Valença.
Natural de Ubatã, ele estava escondido em Minas Gerais. Investigações mostram que integra um bando liderado por Valfran Rosa dos Santos, o Orelha. Dela, fazem parte ladrões de vários Estados, como Fábio Silva de Paiva, conhecido como Sena, Joelson Trindade Lima, também Joelson de Uruçuca ou da Madeira, Anderson Nascimento Freitas, o Lagartixa, Paulo César Vieira Durões, de apelido PC, Ivan Vieira Gally, Paulo Ricardo Araújo da Costa, o Fábio Baiano, Ranzis Costa Santos, Tarciano Deodato e Cléber Vieira da Silva, o Fofão ou Cléber Kombeiro.
Bandido deu nome falso à polícia
Trata-se de André Bilu, o assaltante pernambucano preso anteontem, após ataque a carro-forte na Via Parafuso, que se identificou com o nome falso de Roberto Camilo Mendes. Além dele, na ação foram detidos o ex-policial civil goiano Orlando Ferreira Nunes, 47, e o PM baiano Adalberto das Neves Conceição, 37, da 1ª CIPM (Pernambués). Eles teriam matado, após a tentativa frustrada de interceptar o carro-forte, o comparsa o mineiro Leonardo Mateus de Pádua Alves, que colidiu seu carro e ficou preso nas ferragens. Segundo um delegado do caso, a mãe de Leonardo, Solange Maria Pádua, prestou depoimento anteontem, depois foi liberada.
Ao cruzar investigações com a versão dela, a polícia descobriu que o bando é ligado a Paulo Donizete, baiano que residia em Pernambuco e foi preso no Espírito Santo após dezenas de roubos a bancos. De forma cinematográfica, fugiu do presídio capixaba de helicóptero, tendo sido recapturado no Rio de Janeiro, fardado de policial militar. Do Presídio de Segurança Máxima Presidente Bernardes, ele estaria comandando o bando por intermédio do seu braço-direito, conhecido como Gersinho Pivete. Além dos presos, na quadrilha estão identificados Messias Martins Alves Júnior, irmão de Leonardo de Pádua, e Eros Farias, que chegaram a Salvador no dia 4 deste mês, com Solange.